Observações a Respeito do Casamento

Análise incompleta sobre a união de duas pessoas

Arte de Clara Renault

Tradicionalmente, mundo afora, o dia dos namorados é comemorado em algum dia de fevereiro. O Brasil, diferentão, curte celebrar a união dos pombinhos apaixonados no dia 12 de junho.

No ano de 2021, porém, outra data também será nacionalmente comemorada. O dia marca um ano desde que fui anunciado como contratação bombástica e permanente no time dos casados, episódio que até hoje arranca lágrimas dos ex-colegas da equipe dos solteiros.

Coincidentemente, mas igualmente importante, minha digníssima e eu celebramos nosso primeiro ano de casados, nossas bodas de papel. Iei.

Por conta do conhecimento acumulado no período, acredito estar no ponto perfeito para manifestar opinião sobre o assunto. Aliás, posição perfeita para manifestar opinião sobre qualquer conteúdo, diga-se de passagem: a que se pensa ter sabedoria suficiente para fazer a análise e perfeitamente ignorante para sequer perceber que desconhece os pontos mais relevantes.

Em outras palavras: não tenho a menor ideia do que estou fazendo e acho que estou abalando. Tipo o governo Bolsonaro.

Sem mais delongas…

1. É uma delícia

Aniquilando qualquer expectativa de suspense até o fim do texto e contrariando os clichês a respeito do matrimônio (que envolvem desde um pacto demoníaco até convenção-político-social-para-tornar-as-pessoas-menos-felizes) arremato: casar é bom para dedéu.

Claro, que também pode ser ruim, mas aí faz parte.

Por via das dúvidas, se case. Se você tiver um bom casamento, ótimo. Caso contrário, você pode tentar ganhar a vida fazendo comentários sobre casamento na internet.

2. Guerra de trincheiras

Muito pode ser dito sobre um casamento ao saber o que rola na cama do casal.

Enganam-se aqueles que pensam que eu me refiro ao entrelaçar dos pés na inevitável rendição aos anseios carnais. Estou me referindo, obviamente, à disputa velada que rola pelo espaço sobre a cama que cada um dos cônjuges têm direito.

Nesse momento, meu amigo, o melhor conselho que pode ser dado é: aguenta as pontas. É tipo prova de resistência do BBB. Use roupas leves, se alimente bem e demonstre vigor. O psicológico desempenha um grande papel nessas batalhas. O xadrez mental debaixo dos lençóis envolve distrações artificiais, movimentos estratégicos e artimanhas abomináveis. A lei da selva rola solta.

De certo modo, esse teatrinho dissimulado lembra a disputa de cotovelos pelo braço das poltronas do cinema.

Falando em cinema…

3. Companhia de sofá

Poucas coisas na vida combinam tão bem quanto Netflix, sofá e chamego. Eu casei por amor, mas o óbvio efeito colateral dessas regalias não pode ser ignorado.

O ponto de atenção dessa observação repousa no cuidado que deve ser dado ao compromisso assumido.

Ao começar uma nova série, o comprometimento de assistir em dupla e JAMAIS individualmente deve ser explícito e assinado em contrato de duas vias. O clima de harmonia e gostosura pode e deve ser virado do avesso se o compromisso for rompido.

Não que seja motivo para divórcio. Assassinato sim. Divórcio não.

Inclusive, fica aí a dica para a Netflix: desenvolver uma feature que alerte o cônjuge quando um assistir sem o outro.

No fim das contas, concluo que o casamento não é tão diferente de outros aspectos da vida real. Acorda, come e dorme como em qualquer outro momento. A diferença é que agora você pode contar com alguém para te lembrar dos aniversários por você.

No futuro eu volto para atualizar e adicionar mais observações. Até.

Pigs don’t fly, never say die